sexta-feira, 4 de junho de 2010

Crônica: Caos a beira-rio

São Paulo, rio Tietê. Todos os dias que passo por aqui, em quaisquer horários, já que as circunstâncias caóticas são sempre as mesmas, tenho pensamentos iguais aos de meu pai. Quando vivia, meu pai dizia as mesmas coisas que falo hoje, na verdade vale ressaltar que eu o julgava exageradamente impaciente, rabugento e, algumas vezes, cético demais diante do que o mundo poderia ser.
Segunda-feira, 7h33 minutos. A única opção que tenho para evitar o desconforto dos transportes é a de morar perto, mas bem perto do local onde trabalho, ou seja, bem longe do local onde moro hoje. Fora isso, poderia optar por ir trabalhar de trem, ser assaltado e não ter dinheiro para pagar o táxi que me levaria à empresa. Poderia ir trabalhar de metrô e ser completamente esmagado até chegar à Barra Funda, claro, a estação onde desço é a última, que ótimo, não? Poderia ir trabalhar de ônibus, pegar um trânsito infernal, cair várias vezes no colo de outros homens e apanhar de uma velhinha de 80 anos que acha que estou passando a mão em seu traseiro propositalmente. Poderia ir trabalhar a pé, demorar 6 horas para chegar à empresa, ser demitido e me aposentar fazendo trancinhas na praia. Com todas essas possibilidades incríveis que a cidade de São Paulo oferece, escolhi ir trabalhar de carro. Problemas? Para quem encara a rotina dos transportes públicos, ir de carro é surreal, como se essa realidade fosse magnífica e inatingível para alguns. Na verdade, percebo isso quando vou trabalhar de metrô às quartas-feiras, já que é o rodízio do meu carro. Ai de quem reclamar do aperto: -“Vai de táxi, playboyzinho. Tá acostumado com o carro, né?” O que poucos sabem é que encarar a Marginal Tietê pode ser tão desesperador quanto aguardar a abertura de portas no Brás.
Sejamos claros, dizem que o rio Tietê era maravilhoso há anos atrás, de certo deveria ser, mas como algo antes tão prazeroso poderia ter ser tornado o inferno diário de milhares de pessoas que circulam pela região? Não sei. Trânsito, mau cheiro, paulistanos mal humorados, carros pifando, calor, buracos, pouca sinalização e outros, mas muitos outros problemas que poderiam ser enumerados sem dificuldade.
As melhoras são insuficientes e, por isso, hoje reclamo tanto quanto meu pai. Confesso que não sou inteiramente cético, pois acredito no jeitinho brasileiro de tentar mudar. Vamos ver, nada é esquecido pelos políticos em ano eleitoral...

Equipe Sustenta Tietê.

Um comentário:

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